Diretora Executiva da ANPTrilhos, Roberta Marchesi, explica que qualquer medida tomada para beneficiar o transporte público terá efeito imediato na qualidade de vida da população

O tema fará parte do Fórum de Mobilidade ANPTrilhos, que será realizado no dia 27 de julho, em Brasília

“A mobilidade urbana impacta diretamente sobre a qualidade de vida de qualquer cidadão”, a afirmação é da Diretora Executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), Roberta Marchesi, e faz todo sentido diante dos deslocamentos diários da população, principalmente nos percursos casa-trabalho.

“Hoje no Brasil, em média, as pessoas levam 1h30 para se deslocar todos os dias no percurso casa-trabalho e isso reflete na qualidade de vida da pessoa que depende do transporte público ou individual. Esse cenário é muito ruim e significa que nossas vias estão totalmente congestionadas, que os nossos transportes públicos estão defasados, em relação à rede de atendimento necessária para a locomoção com qualidade da população”, explica Roberta Marchesi.

Na visão da executiva, qualquer medida tomada para beneficiar o transporte público terá efeito imediato na vida das pessoas e a mobilidade urbana deveria ser o tema principal na pauta dos líderes e governantes.

Com o intuito de debater a mobilidade dos brasileiros, o Fórum de Mobilidade ANPTrilhos reunirá os candidatos à Presidência da República para apresentar suas propostas para o setor e debater o futuro do transporte de passageiros sobre trilhos no País. O evento será realizado no dia 27 de julho, em Brasília, e a Diretora Executiva da ANPTrilhos explica a importância do tema diante das eleições de 2022. Acompanhe:

Como avalia a importância de um evento como o Fórum de Mobilidade ANPTrilhos no desenvolvimento do setor metroferroviário?

Roberta Marchesi – A ANPTrilhos busca no Fórum de Mobilidade fazer com que os nossos futuros governantes reflitam sobre a importância da mobilidade urbana no dia a dia dos brasileiros, a necessidade o planejamento dosa deslocamentos e o desenvolvimento de sistemas de transporte sobre trilhos para dotar as cidades de uma rede estruturada que atenda com eficiência e qualidade toda a população. Não há outra maneira de fazer com que mobilidade urbana ganhe esse destaque dentro das pautas setoriais dos diversos governos se não for através das lideranças que estarão no Fórum de Mobilidade.

Quais ações você avalia como necessárias para o avanço da mobilidade urbana sobre trilhos no Brasil?

Roberta Marchesi – A mobilidade urbana sempre será dependente do transporte público. Não existe nenhum tipo de transporte, por aplicativo ou demanda, que dê conta do grande volume de deslocamentos diários nas médias e grandes cidades. O transporte público é a mola mestra de toda essa mobilidade e as inovações e aplicativos precisam estar interconectados com o transporte público. É essencial que o transporte público seja visto com a importância que tem para a população e as cidades, e que os gestores públicos e os futuros candidatos possam evoluir com esse conceito do transporte público para dotá-lo com a qualidade que a população precisa.

O transporte público sobre trilhos é uma concessão pública, portanto, o avanço desses sistemas no Brasil depende do progresso das políticas públicas que envolvem o desenvolvimento de projetos. É fundamental que os governos federal, estadual e municipal se debrucem em um planejamento que considere o desenvolvimento de redes estruturantes de transporte sobre trilhos para poder dar agilidade e qualidade aos sistemas de atendimento das cidades. Esses sistemas precisam estar conectados com todos os demais modos de deslocamento do município para formar uma verdadeira rede de transporte e mobilidade à serviço dos cidadãos. O planejamento é fundamental e não conseguimos avançar se o governo não avançar. Precisamos que as administrações públicas progridam, mesmo que esse desenvolvimento signifique uma maior interação no que tange a proposição privada de novas linhas e extensões. Mas, esse processo depende de o poder público querer avançar nas parcerias públicos-privadas, pois o serviço de transporte é público e o setor privado não pode fazer sozinho.

O governo tem apostado nas parcerias públicos-privadas (PPP) para o setor e hoje elas respondem por 56% das operações no Brasil. Qual a sua visão em relação às PPPs no setor metroferroviário?

Roberta Marchesi – A ANPTrilhos reúne os operadores de transporte metroferroviário de todo o Brasil, sejam eles públicos ou privados, das esferas federal, estadual ou municipal, e cada um tem a sua característica em função do tipo de serviço que presta à população. A ANPTrilhos não defende a concessão do setor e entende que, independente do tipo de operação, pública ou privada, tem que ser com qualidade.

Defendemos que, uma vez que o governo precisa lidar com investimento em diversas áreas como saúde, educação, segurança pública e mobilidade urbana, entre outros, e entende que, dentro da realidade dele, é melhor fazer uma concessão para ter mais agilidade nos projetos, desonerar o Estado dessa operação e dar a essa operação mais qualidade, que ele faça. Mas, se o governo é capaz, dentro dos seus recursos, de operar, manter e expandir o sistema de transporte com qualidade, a ANPTrilhos também defende que ele o faça.

É fato que existe uma tendência em todas as esferas governamentais de fazer do parceiro privado um agente indutor de desenvolvimento do País e isso tem acontecido em diversas áreas, não só na metroferroviária. No nosso setor, a demanda pelo investimento e pelo transporte tem gerado atratividade do ente privado e isso é evidenciado em todos os processos que são abertos com relação às concessões e PPPs, com interessados e sucesso em todos os procedimentos.

Ter um transporte por PPP e concessão não elimina a participação do poder público. Pelo contrário, força que o poder público se concentre na regulação e fiscalização, que é fundamental para os bons resultados dessa parceria. Isso enseja na necessidade de profissionais que entendam desse tipo de serviço e possam fazer a interface com o parceiro privado para garantir o sucesso PPP ou da concessão. No final, o que se busca é a garantia e qualidade do serviço que está sendo prestado.

Qual a importância de debater a mobilidade urbana no cenário das eleições?

Roberta Marchesi – A mobilidade urbana impacta diretamente sobre a qualidade de vida de qualquer cidadão, independente se ele usa transporte público ou não. Hoje no Brasil, em média, as pessoas levam 1h30 para se deslocar todos os dias no percurso casa-trabalho e isso reflete na qualidade de vida da pessoa que depende do transporte público ou individual. Esse cenário é muito ruim e significa que nossas vias estão totalmente congestionadas, que os nossos transportes públicos estão defasados, em relação à rede de atendimento necessária para a locomoção com qualidade da população. Qualquer medida que seja tomada para beneficiar o transporte público hoje, por qualquer líder ou governante, terá efeito imediato na qualidade de vida da população, seja para reduzir custo de tarifa ou para aumentar a qualidade do transporte que é oferecido. Portanto, a mobilidade urbana deveria ser o tema principal na pauta de qualquer líder ou governante. Mas, infelizmente, hoje, no Brasil poucos são aqueles que tem políticas especificas voltadas para a mobilidade urbana, para o dia a dia do cidadão.

Como avalia a importância de um evento como o Fórum de Mobilidade ANPTrilhos no desenvolvimento do setor metroferroviário?

Roberta Marchesi – A ANPTrilhos busca no Fórum de Mobilidade fazer com que os nossos futuros governantes reflitam sobre a importância da mobilidade urbana no dia a dia dos brasileiros, a necessidade o planejamento dosa deslocamentos e o desenvolvimento de sistemas de transporte sobre trilhos para dotar as cidades de uma rede estruturada que atenda com eficiência e qualidade toda a população. Não há outra maneira de fazer com que mobilidade urbana ganhe esse destaque dentro das pautas setoriais dos diversos governos se não for através das lideranças que estarão no Fórum de Mobilidade.